Os quebra-cabeças médicos de os rostos de 50 obras de arte universal

“As Meninas”, De Diego Velázquez, 1656.

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Este doutor, um apaixonado pela história da arte, diagnostica as doenças de personagens retratados em cinqüenta obras de arte universal, em seu livro “O rosto doente: 50 pinturas universais para entender as doenças do rosto e pescoço”. Algumas patologias que passam despercebidas para a maioria dos espectadores: manchas avermelhadas no rosto, pescoço inchado ou mandíbula pronunciada são alguns dos sinais mais observadas.

Por isso, no famoso quadro de Diego Velázquez, este especialista observa “a têmpora direita da infanta uma pequenina mancha café-com-leite”, uma marca que aparece em retratos posteriores da infanta e que responde ao síndrome de Albright, uma doença genética que afeta os ossos e a pigmentação da pele.

Mas… Como pode ser tão eficaz um diagnóstico com só olhar para o rosto? O doutor Monge considera que “para um cirurgião bucomaxilofacial, é relativamente fácil tirar um diagnóstico de uma deficiência, uma doença ou problema no rosto, com relativa de veracidade“, e explica que apesar da gente não vê estes sinais, se lhes orienta, “podem aprender a vê-los”.

“É como passar pela frente de um edifício durante muitos anos e que, então, te diz que tem uma forma particular na fachada”, que passou despercebida, acrescenta o especialista.

Sob a mesma lupa, o cirurgião analisa as patologias de outros 49 personagens ilustrados, grandes expoentes do romantismo e do impressionismo, e as reúne, no livro que conta, além disso, com uma análise histórica e artística de seu irmão, o historiador Isidoro Monge Gil.

A deformidade mais comum, de acordo com o doutor Monge, é o prognatismo ou mandíbula para frente, para além do plano da cara. Você pode ver, sobretudo, os retratos da dinastia dos Habsburgo, que tinham “a mandíbula muito aumentada e o arco superior com pouca capacidade de crescimento”, acrescenta o cirurgião.

A dama de ouro, por Gustav Klimt

Um dos quadros analisados é o “Retrato de Adele Bloch-Bauer I”, conhecido como “A dama dourada”, de Gustav Klimt (1907), que se exibe na Neue Galerie de Nova York. De acordo com o diagnóstico do doutor Monge, “esta senhora se pode determinar pela mancha do rosto, que pode ter uma insuficiência cardíaca”.

E para confirmar isso, os irmãos Monge Gil investigaram a biografia da mulher e descobriu que “a causa de sua morte foi uma meningite, possivelmente decorrente de uma doença do tecido conjuntivo, e que tem esse sinal recurso” acrescenta o cirurgião.

Um detalhe marcante da obra –feita em óleo e ouro sobre tela – são os dedos de dama de ouro, que a consideração do cirurgião, podem ser um sintoma de uma artrite reumatóide.

A Descida de Rogier van der Weyden

Na análise patológica sobre a Virgem Maria, vestida de azul, ilustrada no quadro “A Descida” do pintor holandês Rogier van der Weyden (antes de 1443), o doutor Monge convida-o a fixar-se em seu pescoço, em que se vê um volume característico do bócio difuso causado por um aumento da glândula da tiróide.

A obra-prima do pintor belga se encontra no Museu do Prado.

Retrato de velho com criança, Domenico Ghirlandaio

Um dos quadros de interesse do doutor Florêncio Monge Gil, durante as suas visitas ao Museu do Louvre, é o “Retrato de velho com criança” (1490), de Domenico Ghirlandaio. Neste “você vê um homem com grãos no nariz, uma lesão denominada rinofima, que é uma deformidade peculiar característica de rosácea”, garante o cirurgião.

Outros vinte tipos de deformidades de face ilustradas em vários quadros são mencionados neste livro editado pelo Art Duomo Global (Descobrir a Arte), que propõe um olhar da arte através da medicinae, em particular, a especialidade cirúrgica do esqueleto facial, o rosto e o pescoço.

Para o doutor Monge, atualmente, este tipo de deformações (tipo II e III) são tratados de forma precoce com cirurgia, e “se consegue que o esqueleto facial volte a ter todas as medidas de um cara normal”, ao contrário do que se pode ver nas pinturas, em que os personagens continuaram assim até a idade adulta.

Além disso, o cirurgião diz que por este tipo de deformações ocorrem mais de 4.000 operações em Espanha, sendo a mais comum o progmatismo tipo III, em que “o lábio superior está afundado e o lábio inferior é mais proeminente”, conclui o doutor Monge.

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