Os farmacêuticos pedem segurança para proteger os pacientes

A presidente do Conselho Geral das Faculdades de farmácia, Carmen Rocha, garante que o setor vive com “movimentos” algumas das medidas adotadas pelo Governo e as comunidades autónomas, como o co-pagamento e o euro, por receita, e pedem um quadro de segurança para o bem da saúde

Carmen Rocha/EFE/Fernando Alvarado

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Em uma entrevista com a EFE, Carmen Rocha, afirma que os farmacêuticos espanhóis vivem com “objetivo” e “incerteza” algumas das medidas adotadas pelo Governo e as comunidades da Catalunha e Madrid, como o co-pagamento e a taxa do euro pela receita, e pedem um quadro de segurança que evite a deterioração de sua relação com os pacientes.

Carmen Rocha explicou que estas medidas implicam uma carga administrativa e burocrática “desastrosa” para os farmacêuticos que, além disso, sofrem com o paciente, todas as medidas que podem impactar em seus bolsos.

Porta de acesso ao sistema de saúde

As farmácias são a “porta de entrada” do sistema de saúde para os dois milhões de pessoas que a cada dia vêm a elas e é o lugar em que mudam as suas “preocupações e raiva” contra medidas como o co-pagamento ou o euro pela receita. “As farmácias são o primeiro parapeito que estão”, ressalta.

Em referência à taxa do euro pela receita, implantada na Catalunha e da Comunidade de Madrid, e posteriormente suspensa por decisão do Tribunal Constitucional, Penha lamentou a “incerteza” que provoca os farmacêuticos implantar uma medida “dolorosa para o paciente” e “muito difícil de explicar”, para, um mês depois, retirá-la.

“Entendemos que temos que buscar fórmulas de contenção da despesa”, mas “o que se faça tem que ser feito a partir da equidade do sistema, com um intervalo estadual, e com medidas que impactem o mínimo possível dos cidadãos”, salientou.

Neste sentido, destacou que os farmacêuticos precisam de um quadro de “certeza” para que a relação com o paciente não se veja prejudicada.

Mais de 23 medidas no que vai de século

Rocha lembrou a mais de 23 medidas adotadas desde o ano 2000 com o objetivo de controlar a despesa pública em medicamentos e que são “empobrecido” às farmácias e se referiu também ao não-pagamento de facturas farmacêuticas. “As farmácias não podem financiar o sistema porque não têm economia para isso”, avisou.

No entanto, reconheceu que, graças ao Plano de Pagamento a Fornecedores e ao Fundo de Liquidez Autonómica “estão subsanando os grandes problemas de atraso nos pagamentos”, embora tenha apontado a necessidade de que as comunidades tenham “fundos próprios” para lidar com elas.

Não à liberalização das farmácias

Em relação a versão preliminar do anteprojeto de lei do Ministério de Economia e Competitividade sobre o exercício profissional, que prevê a liberalização do sector das farmácias, Penha colocou o acento no “firme apoio” do Ministério da Saúde o modelo de propriedade e de propriedade do farmacêutico e tem sido muito clara neste sentido: “O modelo de farmácia português funciona e o que não funciona há que mudá-lo”.

A farmácia espanhola, explicou Carmen Rocha, baseia-se nos pilares da posse e propriedade do farmacêutico, que prioriza o profissionalismo acima de tudo econômico; o sistema planejado, que garante que o 99 por cento da população tem acesso a uma botica; e a concertação universal, que garante que qualquer escritório pode dispensar o medicamento prescrito pelo Sistema Nacional de Saúde.

“Esse tripé se baseia o nosso modelo de farmácias e o que temos que fazer é potenciarlo e nunca destruí-lo”, afirmou.

Os medicamentos não são uma mercadoria

A presidente do Conselho Geral das Faculdades de farmácia, sublinhou que os medicamentos não são mercadoria”, assim como os pacientes não são “consumidores”, nem as farmácias, lojas e tem assumido o papel de seus colegas na promoção da saúde e prevenção da doença.

“Uma matéria pendente de Saúde não é tratar a doença, algo em que a Espanha é uma referência a nível mundial, mas gerar prevenção e promoção”, afirmou.

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