Os estereótipos tapam os olhos para a sociedade

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No Dia Mundial da Saúde Mental, 10 de outubro, EFEsalud explica os problemas e estigmas que atravessa esta incompreendida patologia.

Apesar de que a doença mental tem acompanhado os seres humanos desde a antiguidade, sempre existiu o temor ao diferente ou desconhecido, por isso não se fala normalmente sobre os transtornos mentais.

Falamos com Nel A. González Eduardo, presidente da Confederação brasileira de Saúde Mental Portugal, quenos apresenta uma abordagem global sobre a patologia mental, uma doença da qual ninguém está isento. “Todos nós estamos no caminho e que ninguém está livre de que lhe toque”, assevera.

Desconhecimento e carga cultural

A origem do estigma é o grande desconhecimento que existe sobre a doença mental. “O desconhecimento é sempre o receio e o diferente”, afirma o especialista.

Sustenta que as crenças sociais “são muito difíceis de remover”, porque os seres humanos são defendidos “de uma forma primitiva fugindo de modo diferente”. Esse desconhecimento é a “origem da marginalização das pessoas que têm um transtorno mental”.

Para melhorar a situação, González declara: “os pequenos passos está a ir, pouco a pouco, acabando com o desconhecimento. Faz falta ser mais generosos e dizer-se: quem sou eu para julgar ou para levantar uma barreira contra os que são diferentes?

A barreira que se ergue a sociedade “gera um sofrimento muito grande em pessoas que sofrem de um transtorno” e muitos o vêem como “sua vida é impossível de virar”, mas há uma grande maioria que “trabalha duro a-dia” para conseguir a sua independência.

O profissional afirma que o medo que se sente diante de uma pessoa com algum distúrbio mental vem difundido, essencialmente, por:

  • A cultura: a falsa ideia estabelecida de que a cultura do sucesso.
  • Os estereótipos: a imagem padrão que existe na sociedade.
  • A imagem visual em filmes: o personagem com alguma doença mental que colocam nos filmes, sempre agressivo e volúvel.
  • Um tratamento não adequado das notícias: nos eventos onde intervém uma pessoa com algum distúrbio sempre se apela para a violência.

Situação atual

A Organização Mundial de Saúde afirma que 1 em cada 4 pessoas no mundo tem um transtorno mental. Em Portugal estima-se que um aumento de 19,5% da população já teve um problema mental ao longo de sua vida e, atualmente, 9% da população sofre algum.

O especialista garante que, com a crise econômica, houve um aumento dos transtornos de ansiedade e depressão, em torno de 13,5% , e diz que isso tem causado muito sofrimento” na sociedade.

“Não são doenças menores porque um transtorno mental produzido por estresse, ansiedade ou depressão podem ser graves se não tratadas adequadamente”, diz.

A falta de trabalho é a principal causa destes transtornos. “Não há recuperação, ou saúde mental se as pessoas não tem acesso a um trabalho. O emprego é o que lhe dá a capacidade para desfrutar dos bens econômicos e, em consequência, dos bens que derivam da cidadania”.

“Se você trabalhar, você pode consumir e comprar ou pagar uma renda para sua moradia, aquilo que todos os cidadãos precisamos”, certifica.

Principais problemas mentais

Existem dois níveis de problemas em saúde mental:

  1. Os graves que se prolongam no tempo
  2. Os distúrbios leves que se dão por circunstâncias em um momento determinadoAGENCY / PUBLICATION ORIGINAL

“Uma pessoa que tem um transtorno menor, com apoio pode sair para a frente, mas se não o tem, pode piorar para um transtorno mental mais importante”, acrescenta.

González afirma que “a sociedade não funciona bem”, pois está orientada para a “cultura do sucesso” que tudo justifica, quando, na realidade, “cada pessoa tem seu próprio sucesso com suas doses de fracasso”.

“Devemos mudar o conceito de normalidade e anormalidade a partir de uma abordagem ético, porque não é verdade que o normal, seja o sucesso”, diz. O principal problema está em atingir os falsos idealismo.

“As metas que se colocam, sobretudo os jovens, são impossíveis de alcançar. São os conceitos estéticos e profissionais de uma vida de filme que não se podem obter. A maioria das pessoas tem uma vida de poder e é o principal motivo de frustração. É aí que os poderes públicos devem arbitrar com a detecção e de apoio, para que as pessoas não fiquei doente em sua juventude”, diz o presidente da Confederação.

Lema: “eu Sou como você, apesar de ainda não saber”

Com este lema, pretendem que “cada pessoa, em seu foro interno, abra a sua mente diante dessa necessária tolerância e conhecimento”. Reafirmam que todos somos diversos e “nós não temos nenhum direito de apontar o dedo”.

“Ter mais empatia e generosidade nos faz bem a todos, é necessária, pois não teremos uma sociedade civilizada se há pensamentos excludentes, não só com as pessoas que têm um transtorno mental, mas com a sociedade em geral”, avalia González.

Chave: Prevenção

Para se ter uma sociedade saudável há que investir na prevenção. “Você tem que vir para a detecção precoce, nas escolas deve-se vigiar para que não se use a opressão no âmbito educativo, o bulling ou discriminação, pois tudo isso gera patologia mental de uma forma incrível”, indica o especialista.

Quanto mais cedo a intervenção, melhor é o prognóstico. Um grave problema de saúde pública é o suicídio. Por isso, sublinha que “a prevenção a partir da escola e em idade precoce” vai fazer com que sejamos “mais saudáveis e tenhamos menos sofrimento”.

Situações mais propensas:

Há circunstâncias que movem as patologias mentais como:

  • Consumo de tóxicos.
  • Fatores estressantes.
  • Evitar dizer que é herança genética, está provado cientificamente que as pessoas com a mesma herança, tem formas diferentes de orientar a sua vida.
  • O desemprego ou os trabalhos precários, que a gente não possa viver de acordo com a sociedade de consumo estabelecida.

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