Os especialistas pedem universalizar o teste HIV para uma detecção precoce do vírus da aids

Trata-Se de detectar o mais cedo possível ao doente, um objetivo que se chegaria se os médicos recomendasen este teste a quem tenha tido relações sexuais sem proteção; de 150.000 afetados de aids no Brasil, um terço não sabe

Os especialistas que participaram nas jornadas sobre o HIV/EFE/Juan M. Espinosa

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Especialistas nacionais e internacionais reuniram-se em Madrid no dia da “Avançando para o futuro em HIV”, um slogan que deve poder ser alterado por “Tentando avançar em direção a um futuro sem HIV”, segundo o chefe do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Clinic de Barcelona, Josep Maria Gatell.

Embora se segue investigando o referido hospital sobre a vacina terapêutica desenvolvida recentemente (se apresentou no início do ano) e que consegue o controle da doença de forma temporária durante doze meses, os médicos têm destacado que a única forma de erradicar a aids não será através de novos medicamentos, mas evitando novos contágios.

Em Portugal a taxa de novos diagnósticos continua situando-se em torno de 2.700 por ano, e o chefe do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Ramón y Cajal de Madrid, Santiago Moreno, mostrou sua preocupação pelo facto de, só em Madrid, 3,5 pessoas de cada 1.000 estiver infectada, sem o saber.

A taxa de infecção oculta em Madrid é de 0,35 %, ou seja, entre 15.000 e 20.000 madrilenos estão infectados e podem transmitir a doença, alertou Moreno.

Além disso, segundo dados de 2011 do Ministério da Saúde, 46% dos novos diagnósticos-2.763 – foram tardios, 83% correspondem a homens com uma idade média de 35 anos e a maioria -54 % dos casos o contágio ocorreu por transmissão de homem para homem.

Manter os gastos na luta contra a aids

Gatell explicou que o custo da saúde em Portugal em relação ao sida ultrapassa os 600 milhões de euros e o Estado cobre cem por cento desses gastos, algo que se deve manter”.

“Estamos na consulta à espera que chegue o doente e não vamos procurá-lo”, ponderou Santiago Moreno, que recordou que o HIV é uma doença “clínica e epidemiológica mais importante” em Portugal.

Por isso, Moreno pediu que, assim como é feito o teste de aids em mulheres grávidas e doadores, que se faça com o resto da população.

“Sem preservativo comigo não” é a frase que deveríamos usar todos, de acordo com o dr. Moreno.

Medicamentos

O diretor do Centro de Excelência em HIV de Coumbia (Canadá), Julio Montaner, salientou a qualidade de vida que contribuiu para reunir os três medicamentos descobertos em 1996 e que o doente deve tomar por toda a vida em um só, ou STR (single revolta tablet ou tablet única), algo conseguido em 2007, mas cuja prescrição depende do médico e do paciente de acordo com as tolerâncias do mesmo.

“O futuro do tratamento anti-retroviral está nas novas pastilhas únicas”, de acordo com esses especialistas, que são avisados do problema que pode fazer com que se obrigue ao médico por “razões econômicas” receitar os novos genéricos que vão saindo os três medicamentos.

“Somos contra” de que se prescreva um medicamento separadamente apenas por ser um genérico, sustentaram os três especialistas, que são lembrou que, há alguns anos, algumas comunidades autónomas proibiram durante um tempo o tratamento único.

“Temos confiança em que o bom senso e o consenso imperen” para evitar que aconteça isso mesmo quando as empresas tirem novos genéricos dos medicamentos para os doentes de aids, afirmou Gatell.

Atualmente, 60% dos pacientes toma a pílula única contra 40 % que não o faz por não tolerarla ou por outras circunstâncias.

Os doentes de aids podem viver oito décadas desde que são diagnosticados, enfatizaram os especialistas, que concluíram, acrescentando que “hoje, a prevenção da aids continua sendo o preservativo e a mudança de comportamentos sexuais”.

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