Os espanhóis valorizam cada vez mais os produtos frescos

Estas são algumas das conclusões da segunda edição do relatório “Alimentação, Sociedade e Decisão Alimentar em Portugal do século XXI”, elaborado a partir de mais de 2.000 entrevistas pela Fundação Mapfre e a Universidade San Pablo.

Os autores do relatório recomendam fazer cinco refeições por dia, dedicar tempo suficiente para comer e, na companhia, ter um maior número de competências no domínio da alimentação e da cozinha, e realizar uma alimentação sustentável.

Perto de metade dos espanhóis estaria disposto a pagar mais por alimentos produzidos de forma sustentável, pois a maioria da população considera que dieta saudável e dieta sustentável são conceitos semelhantes.

Selecionar marcas de distribuição, as “brancas”, (53,3 %) é a estratégia mais escolhida para reduzir o gasto em alimentação, de acordo com o estudo, que revela também que a maioria (66,9 %) reconhece que desperdiça menos de 10% dos alimentos que compra.

As mulheres continuam a estar à frente

As mulheres, em geral, continuam a ser as que se encarregam das tarefas domésticas relacionadas com a comida, ou seja, a compra e preparação dos alimentos, mas na faixa etária de 18 a 30 anos, esses “deveres” estão distribuindo quase igual entre elas e eles.

Os resultados do estudo, realizado com o objetivo de conhecer o impacto dos estilos de vida, nos hábitos de compra e consumo, mostraram que mais de 85 % das mulheres que sabem cozinhar em frente ao 56,7 % dos homens.

Mas essa é a média, porque o grupo dos mais jovens estas distâncias entre mulheres e homens, apreciam-se cada vez menos.

Na faixa de 18 a 30 anos, o 70,2 % das mulheres diz que sabe cozinhar (92,8 % das mais de 75 anos), uma percentagem que se afasta um pouco do 62,9 % dos homens (30% dos mais de 75 anos).

Há uma maior equiparação nestas tarefas e é devido a que os homens jovens se envolvem mais na delas, mas também, de acordo com o investigador principal do estudo, o professor Gregório Varela, o consumo de programas de tv de culinária, que incentivados a fazer os seus “primeiros passos” com a comida.

Os jovens se afastam dos padrões tradicionais também na hora de ir às compras, porque cada vez se encarregam mais de carrinho de compras, em que sete de cada dez espanhóis são gasta em média entre 150 e 450 euros.

A alimentação em silêncio

Os dados apresentam uma sociedade com hábitos alimentares estáveis, que realiza três refeições principais e come, maioritariamente, na companhia da família, mas preocupado com a pouca socialização dos jovens nesse sentido.

A sua é “a alimentação em silêncio”, segundo o especialista, porque almoçam, comem e janta assistindo tv e móvel, e essa forma de se comportar está associada ao excesso de peso, porque mais lhes interessa o que há na tela que o que está comendo.

É um modelo que se afasta do mediterrâneo, reconhecido como patrimônio cultural e material, o que implica uma tendência a ser mais sedentário”, a um “excesso de peso corporal e a uma menor variedade de alimentos que são incluídas no modelo nutritivo”.

Apesar de que continua controlando o gasto em alimentação, principalmente através da compra de produtos de distribuição (marcas brancas) e estabelecimentos mais baratos, parece haver uma incipiente superação da recente situação de crise, segundo o especialista.

E isso se reflete através de um “tímido” aumento na despesa de alimentação, uma maior freqüência de compra de produtos frescos e mais tempo gasto em fazer a compra habitual.

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