Os espanhóis consomem menos calorias do que há 40 anos

Em Portugal consumimos 13% de calorias a menos por dia que, há 40 anos, mas não nos privamos das gorduras que afetam os índices de sobrepeso e obesidade. Sedentarismo e uma redução dos hidratos de carbono nos afastam da dieta mediterrânica

Os hábitos alimentares dos espanhóis se afastam da dieta mediterrânea. EFE/Alberto Morante

Artigos relacionados

Segunda-feira 03.09.2018

Terça-feira 28.08.2018

Segunda-feira 20.08.2018

A mudança que sofreram os padrões de alimentação em Portugal nas últimas quatro décadas nos distância da tradicional dieta mediterrânica, influenciando a obesidade.

De acordo com dados da Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade, 24% dos homens e 21% das mulheres e 14 % de crianças e adolescentes sofre de obesidade hoje em dia em Portugal.

O especialista destaca que “é excessivo para o conjunto da população portuguesa adulta estudada o aporte de lipídios, desequilibrando o perfil calórico, principal índice de qualidade da dieta. Não obstante, a qualidade da gordura é ainda considerada satisfatória, uma vez que a contribuição dos ácidos graxos monoinsaturados é positiva, se bem que devemos reduzir a ingestão de gordura saturada”, afirma em um comunicado divulgado hoje.

Atualmente, a contribuição dos diferentes grupos de alimentos para a ingestão total diária de energia é de: cereais (24,6%), carne e derivados (14,3%), óleos e gorduras (13,6%) e leite e seus derivados (12,5%), seguidos a uma distância de peixes e frutos do mar (3%), bebidas não alcoólicas (2,9%) ou bebidas alcoólicas (2,3%).

Uma sociedade sedentária

Mas, segundo especialistas, atualmente, não só reduzimos o número de calorias diárias, mas também a atividade física.

Segundo dados da última Pesquisa Nacional de Saúde, “quatro de cada dez pessoas (41,3%) se declara sedentária (não realiza alguma atividade física no tempo livre). Um em cada três homens (35,9%) e quase uma em cada duas mulheres (46,6%)”.

A este respeito, o professor Varela diz que “apesar de ter reduzido a ingestão de calorias em sua dieta, não somos capazes de ter um balanço equilibrado, já que o nosso gasto de energia devido ao nosso estilo de vida inativo, é muito inferior ao desejável. E, desde então, se reduzimos de forma continuada a ingestão de energia, podemos ter dificultados para incluir essa menor quantidade de energia, vitaminas e minerais necessários. Se, pelo contrário, aumentamos o gasto energético, também nos vai permitir uma maior ingestão de calorias com os micronutrientes necessários”.

Isso é ainda mais importante tendo em conta que o sedentarismo e a inatividade física não associados apenas com o excesso de peso e a obesidade, mas com outras patologias (hipertensão arterial, colesterol elevado, triglicérides, diabetes, certos tipos de cancro, etc.), enquanto que, pelo contrário, uma vida fisicamente ativa produz inúmeros benefícios para a saúde e diminui o risco de mortalidade por doenças cardiovasculares.

Os aspectos referidos na análise “A dieta espanhola: uma atualização” faz parte do documento de consenso “Obesidade e Sedentarismo no Século XXI: o que se pode e se deve fazer?”, apresentado em setembro de 2013.

Trata-Se de um acordo histórico sobre a abordagem multidisciplinar da obesidade, fruto do trabalho conjunto de mais de trinta dos principais profissionais do nosso país em matéria de nutrição, bioquímica e biologia molecular, nutrigenómica, inmunonutrición, endocrinologia, epidemiologia, pediatria, atenção primária, controle clínico e hospitalar, saúde pública, educação, ciências da atividade física e do esporte e medicina do esporte.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply