Os doentes cardiovasculares pedem passagem e exigem protagonismo na saúde

EFE/Sáshenka Gutiérrez

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Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) , as doenças cardiovasculares causam 3 de cada 10 mortes em Portugal, posicionando-se como a primeira causa de mortalidade em nosso país. Isto quer dizer que são cerca de 100.000 mortes anuais, situando-se acima do câncer, e sendo para além disso, a primeira causa de hospitalização.

Os pacientes com doença cardiovascular pedem mais informação fiável e personalizada sobre a sua doença, com as ferramentas necessárias no Sistema Nacional de Saúde para poder ser agentes ativos de sua própria doença.

EFE saúde falou com Maite São Saturnino, presidente Cardioalianza, uma associação que congrega dez organizações dedicadas a melhorar a qualidade de vida dos pacientes de doenças cardiovasculares.

“Pedimos ter incidência em todas as estratégias que estão elaborando e que tenha uma saúde que está mais centralizada, ou seja, que os cidadãos possam ser atendidos em todas as Comunidades Autónomas onde se possa acessar seu histórico médico”, alega Maite.

Papel de protagonista do paciente

A presidente Cardioalianza afirma que as necessidades primordiais dos pacientes são:

  • Que o paciente está empoderado. “Temos que estar em todos os fóruns e mesas onde se decidem as estratégias de saúde”, ressalta.
  • Estar e ser parte no processo de tomada de decisões.
  • Definidas as rotas muito claras na informação. “Precisamos de uma informação clara, concisa e com uma linguagem que chegue ao paciente e que seja compreensível”, ratifica.

Como obter mais transcendência do paciente:

São Saturnino assegura que a chave é que o paciente deve “deixar essa figura de paternalismo com o seu médico e que se assuma que a é quem tem que tomar as suas próprias decisões”, sempre de acordo com os especialistas ou por médicos de atenção primária.

“Há muitos pacientes que estão acostumados a “já me vão dar tudo” ou “já me informar”; deve ser o próprio paciente que se informe, mas sempre através de órgãos confiáveis”, diz.

Acrescenta também que existe orisco de que a gente procure na internet informações de fontes duvidosas. “Há que ter claro que eles não são especialistas e, quando virem algo de estranho em sua doença, têm que se dirigir aos seus médicos ou especialistas”, aponta.

Decisões principais

No II Congresso de Pacientes, celebrado em Girona na semana passada, pacientes, familiares, associações e profissionais de saúde de toda a Espanha puseram em evidência a atual situação.

Maite São Saturnino destaca suas conclusões:

  • A necessidade de capacitar o doente e as associações de doentes.
  • As associações devem estar profesionalizadas. “Que tenham equipes multidisciplinares porque o que fazemos é para cobrir as lacunas que existem na carteira do serviço de saúde”, expõe.
  • Reabilitação cardíaca com unidades porque “em muitos hospitais ainda não estão em andamento”.
  • Unidades de insuficiência cardíaca, “é um dos principais problemas com que se defrontam.
  • Há um vazio em cardiopatias congênitas, especialmente na adolescência.
  • Que se continue investigando, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Fatores de risco

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, embora a maioria delas poderiam ser evitadas atuando sobre os fatores de risco são:

  1. O consumo de tabacoUno dos fatores de risco é o sedentarismo. Foto: EFE/Rungroj Yongrit
  2. Uma dieta inadequada
  3. A obesidade
  4. A inatividade física
  5. A hipertensão arterial
  6. A diabetes
  7. O aumento dos lipídios

De acordo com dados do INE, por sexos, as doenças isquêmico do coração foram a primeira causa de morte em homens e as doenças cérebro-vasculares em mulheres.

Por Comunidades Autónomas, Galiza, Andaluzia e Astúrias são as que contam com um percentual de mortalidade por doença cardiovascular mais elevado; enquanto que nas ilhas Canárias, Madri e País Basco são as regiões de menor mortalidade cardiovascular em Portugal.

“Há muitas diferenças entre as várias Comunidades Autónomas, não só na hora de ter recursos, mas também os acessos a tratamentos“, certifica São Saturnino.

Prevenção

A presidente Cardioalianza enfatiza a importância da prevenção, já que “em 80% dos casos, as doenças cardiovasculares, podem se prevenir”.

“Há que fazer prevenção desde as idades mais precoces-assegura – através de campanhas. Outras doenças, que não são a primeira causa de morte, têm mais peso na sociedade”, por isso destaca-se a necessidade de promover a prevenção.

80% dos casos de doença coronariana e doença vascular cerebral; e até 90% dos acidentes vasculares cerebrais, estão relacionados com riscos modificáveis.

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