Os deslocamentos populacionais: inimigo das epidemias

A pé ou de helicóptero, as equipes de Médicos Sem Fronteiras tentam chegar a vilas remotas como esta nas montanhas ao norte de Katmandu (Nepal) para ajudar as vítimas do terremoto do 25 de abril. Matt Arnold/MSF

Artigos relacionados

Sábado 09.05.2015

Segunda-feira 09.09.2013

Segunda-feira 01.06.2015

Nas III Jornadas Internacionais de Jornalismo em crise, emergências e desastres”, que se encontrassem; durante dois anos uma TELEVISÃO e da Universidade Carlos III de Madrid, um dos temas principais foi o de os efeitos que têm das catástrofes, naturais ou não, na saúde.

Existe um estreito vínculo entre a vulnerabilidade da população e o surgimento de epidemias. Isso revela, portanto, que de acordo com o que catástrofe e onde se produza, o seu impacto na saúde é maior ou menor, de acordo com Javier Arcos.

Na última década, é inevitável enumerar entre a lista de catástrofes naturais ao tsunami da Indonésia ou os terremotos do Haiti e do Nepal. São talvez os mais mediáticos dos últimos dez anos por seu envolvimento e o número de vítimas. Três desastres em que Javier Arcos tem vindo a prestar apoio e conhecimento como médico de família e especialista em Ação Humanitária.

O médico explica as diferenças entre epidemia (aparecimento de um número de casos de uma doença maior do que esperados em um determinado lugar, ou por um tempo determinado), endemia (doença que aparece de forma regular no mesmo período todos os anos) e pandemia (doença em uma extensão geográfica de forma extensa).

“Os cadáveres não geram epidemias”, insiste Arcos sobre outro dos mitos existentes. Para que uma epidemia se produza, explica, tem que dar uma série de fatores, entre os quais destaca-se o deslocamento da população. Um grupo de pessoas se vê na necessidade de mudar a sua residência para outro local, geralmente improvisada, que não tem as condições de higiene indispensáveis para a sua habitabilidade. É nesse ambiente em que se propagam as doenças.

Uma vez que existe a epidemia, podem ser tomadas medidas básicas em saúde pública para reduzir o seu risco: água e saneamento, serviços básicos de saúde, vacinação, prevenção de malária e dengue e vigilância epidemiológica.

Se há duas consequências que não podem escapar praticamente todos os desastres são o aumento de infecções respiratórias e diarréia, de acordo com o médico especialista em humanitarisimo. Depois deles, o sarampo e a malária são os mais frequentes.

Rigor nos protocolos de segurança

O representante de Médicos do Mundo se lembra de sua primeira missão: Indonésia. “Lá desapareceram por completo de algumas cidades os sistemas de saúde”, aponta Arcos. Lá se propagou o sarampo, por sua fácil contágio por via aérea. A superlotação ajudou também a essa expansão.

Mais tarde chegou o Haiti, “tinha mais vulnerabilidade, o impacto foi maior”, disse Arcos. O dengue e a febre tifóide, encontraram lá o cenário perfeito para contagiar milhares de pessoas. No entanto, “foi a chegada do cólera, o que provocou um problema de saúde pública que ainda persiste”.

Javier Arcos explica que a cólera o começaram a propagar os membros da ONU que haviam chegado do Nepal para o Haiti e que, sem querer negligenciaram as medidas de prevenção. “Temos de ser muito rigorosos protocolos de segurança na questão de saúde”, insiste.

Seu último destino foi Nepal, com um baixo índice de desenvolvimento humano e uma complexa orografia. Lá veio quase de imediato ao ocorrer o primeiro sismo e voltou há poucos dias, sem saber qual será o seu próximo destino ao que recorrer a salvar vidas.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply