Os dentistas pedem ao Governo para pôr termo a um modelo que prima o negócio da saúde

Clínica Vitaldent na rua Bravo Murillo. EFE/Ángel Díaz

Artigos relacionados

Quarta-feira 09.09.2015

Segunda-feira 27.04.2015

Quinta-feira 26.12.2013

O Conselho Geral de Dentistassolicitou ao Governo uma alteração legislativa e a regulação do setor de Odontologia para “pôr coto” a um modelo de negócios que coloca o interesse económico para a saúde dos pacientes.

Assim, em um comunicado, pediu que a lei obrigue a que a maioria do patrimônio social e do número de sócios neste tipo de sociedades correspondem a profissionais para poder vincular a prestação do serviço ao conhecimento e à boa ética e práxis profissional.

Desta forma-sublinham os dentistas– se evitaria que o controlo das clínicas dentárias estivesse em mãos de empresários alheios ao setor que o que buscam, na maioria das vezes, é “obter o maior lucro no menor tempo possível”.

Mais regulamentos

Pedem também que a Administração que regule a publicidade de saúde em todo o território nacional para erradicar os casos de publicidade enganosa e “delimitar as ofertas no campo da saúde”, porque “a saúde das pessoas, nunca está de oferta”.

A Polícia Nacional deteve mais de uma dezena de pessoas, em uma operação na Comunidade de Madrid por supostos crimes económicos relacionados com clínicas dentárias Vitaldent, entre eles o presidente da franquia, o empresário uruguaio Ernesto Colman, por suposto crime fiscal.

O presidente do Conselho Geral e de médicos Dentistas de Portugal, Oscar Castro, já avisou à Efe que as franquias de clínicas dentárias são um modelo de negócios “com pés de barro que em qualquer momento se desmorona”.

A raiz do encerramento inesperado de nove clínicas dentárias que a cadeia Funnydent na Comunidade de Madrid e da Catalunha, que deixou mais de mil pacientes com “tratamentos meio de fazer”, Castro denunciou que em Portugal não existe uma legislação que obrigue a que o profissional seja o proprietário e o gestor do seu próprio trabalho.

Em sua opinião, a administração central deve pôr termo a este tipo de situações, já que em “nenhum país da Europa se dá isso de franquias de clínicas odontológicas com publicidade enganosa em todos os meios de comunicação, inclusive na televisão”, como ocorre em Portugal.

O Conselho Geral de Colégios de Dentistas insistiu, além disso, que é necessário que se articulen as ações necessárias para que, em caso de cessação da prestação do serviço, possa ser interrompido o pagamento das cotas de forma imediata e se leve a cabo a dispensa do pagamento do crédito inscrito.

Testemunhos dos afetados

Após saber da notícia de Vitaldent, alguns pacientes têm recorrido a estas clínicas dentárias para pedir esclarecimentos medo se perdem o dinheiro dos tratamentos que foram pagos antecipadamente.

“Eu pago mais de 12.000 euros adiantado e em dinheiro”, disse hoje Francisco, um dos pacientes das clínicas Vitaldent, que assegurou à Efe que lhe dá “medo de perder o dinheiro”, porque é “um operário”.

Mais preocupado ainda ficou quando na clínica têm comentado -lhe escritos em um papel, e que o caso não afetava a Vitaldent, mas a Funnydent, cadeia de clínicas dentárias que foi fechado recentemente e cujo presidente foi preso. Mas não tem sido favorável.

Outra das pacientes que vêm a esta clínica tem sido Manuela, neste caso, para assistir a uma consulta agendada. Ela também teve que pagar adiantado, em dinheiro e com prazos mais de 7.000 euros, e manifestou à Efe seu medo de se ficar “sem tratamento e sem dinheiro”.

Vários centros de esta cadeia consultados pela Efe têm a certeza que abriram suas portas e atendido aos pacientes citados, apesar de apresentar problemas com o sistema informático, que parou de funcionar de forma generalizada.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply